Livres, independentes, o mundo e o Brasil sobreviverão

[Amadeu Garrido de Paula – poeta e ensaista literário, advogado]

Um certo modo de encarar o mundo e a vida entrou em colapso. Talvez seja uma planta cujas sementes foram lançadas em 1968, mais do que tudo um profundo grito de liberdade.

Obras filosóficas dogmáticas, centros cerrados e míopes de organização popular, partidos políticos, sindicatos entorpecidos e adormecidos, toda essa máquina de grilhões passará e, com essa passagem, a liberdade ditará nova etapa de civilização humana.

Em seu livro sugestivamente intitulado “O amanhecer vai ser maior”, Rosana Pinheiro-Machado procura abrir-nos os olhos para o anarquismo do futuro. Anarquismo a significar o desamarrar das cadeias que entorpeceram por séculos o homem e o manteve em casa, com as janelas cerradas. Em verdade, o homem não pode ter medo do homem, se quiser ser humano. Compreender seus direitos, saber que lhes são inerente as restrições, porque se limitam aos alheios, o plano onde começam outras liberdades, que têm de ser harmoniosas. Democracia cooperativa.

A autora aponta como momento revolucionário, nesse sentido, o Brasil 2013. Vê-se, sem enviesamentos ideológicos que não passam de buscas de seguro intelectual, que a maioria dos ocupantes do espaço comum deixou seus guetos para pelejar nas ruas. Sem importância os resultados, eis a reviravolta antropolítica, o sentimento de que as praças são livres, como o céu é do condor.

Ainda, é relativa a tomada do poder por reacionários. Seu maior inimigo, o tempo, os deitarão por terra.

Politização, o ser interessado, sem medo e crítico. Algo verdadeiramente promissor, o politizado que levará de arrastão a “classe política” e seu monopólio demagógico.

Fora dessa liberdade, exercitada construtiva e criativamente, sobre, principalmente, algo que até hoje a raça humana não soube definir com exatidão. Justiça, gênero dentro do qual medrarão várias espécies das civilizações futuras.

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