Inter e a utopia chamada Libertadores 2019

Laboratório

Dizem que os campeonatos estaduais são um laboratório para os chamados “grandes desafios” da temporada. No caso do Inter, o técnico Odair Hellmann desperdiçou os primeiros jogos de 2019. O time está prestes a começar a escalada na Libertadores e ainda não existe definição do esquema tático, tampouco, do time titular. É verdade que os 30 inscritos estão abaixo da tradição colorada no quesito técnico, mesmo assim, o trabalho do professor e de seus asseclas já deveria estar em estágio mais avançado.

Lacunas

O comandante não realizou as cirurgias necessárias para preencher as lacunas abertas desde o final da temporada passada. O time segue sem laterais confiáveis e sem uma referência para o lugar de Damião. No mundo ideal haveria contratações. No mundo possível, já passou da hora de implantar o zagueiro Emerson Santos na camisa 2. Do jeito que está a equipe pagará caro pela insistência com Zeca na titularidade.

Improvisação?

Edenílson e Patrick são os melhores laterais do Inter na atualidade. É claro que deslocar o camisa 8 seria uma heresia neste momento — pelo retorno satisfatório do camisa 8 na meia-cancha. Já Patrick não seria nenhum absurdo que ocupasse a camisa 6. Uendel tem técnica, mas falta vigor. Iago tem vigor, mas acerta um cruzamento a cada 15 anos…

Desenho

Para jogar D’Alessandro ou Sarrafiore, o esquema que melhor potencializa suas individualidades é o 4-2-3-1. Neste modelo, porém, Edenílson perde a liberdade de apoiar que possui no 4-1-4-1. Eis o que, provavelmente, alimenta as dúvidas de Odair no aspecto tático. Eu ainda insistira com o desenho de um armador no time. Começaria a Libertadores com D’Ale entre os 11. Um elenco mediano não pode prescindir da qualidade e da experiência do camisa 10. Pelo menos pra começo de conversa…

Cobertor curto

O Inter não tem elenco para propor o jogo — vide o parto que são os jogos contra adversários que cedem a bola ao colorado no Gauchão. É por isso que é compreensível a tendência do 4-1-4-1 com um meio-campo conservador. Entretanto, cresce a importância de um camisa 9 com poder de retenção de bola. Eis o porquê optaria por Rafael Sobis no comando ofensivo neste momento. Pelo mesmo motivo, escalaria Neilton no flanco canhoto — pelo poder de armação do camisa 17, mesmo que atue pela extrema.

Resumo da ópera

É claro que pelos jogadores disponíveis e, sobretudo, pelo futebol apresentado o sonho do Tri da América para os colorados não deixa de ser uma utopia. Pelo menos, agora, em março. Entretanto, também é verdade que não existe nenhum super-ultra-mega-puxa-híper time nas Américas. Desta feita, sonhar não custa nada!

Boa sorte à nação alvirrubra.

Foto: Ricardo Duarte / Inter oficial

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